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Entrevista a Daniel Cotrim, representante da APAV

1. O que é, na realidade, a violência doméstica?

A violência doméstica é um crime público em Portugal. Está considerado na nossa lei desde 2006. É um crime que contempla a violência física, psicológica, sexual e financeira. Atinge homens e mulheres, crianças e idosos. Para além disso, é um crime público, que pode e deve ser denunciado por todas e por todos que dele têm conhecimento.

A violência doméstica caracteriza-se por um ciclo:

1. Ataques quase sempre invisíveis mas todos eles muito nefastos contra a vítima, normalmente mulheres. Injúrias, difamação, pequenos maus tratos psicológicos e, muitas vezes, as próprias vítimas vão achando que são elas as culpadas deste tipo de situações;
2. Ataques em que a violência física irrompe, é brutal, letal;
3. No final do ciclo está o pedido de desculpas do agressor à vítima, e normalmente a vítima aceita, dando mais uma oportunidade para que ambos permaneçam juntos.

2. Como é que a APAV ajuda mulheres vítimas de violência doméstica?

A APAV tem uma rede de apoio nacional constituído por 18 gabinetes de apoio à vítima, duas Casas de Abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica, acompanhadas ou não de filhos, e uma linha nacional de apoio à vítima, o 116 006. Podemos ser contactados por qualquer mulher vítima de violência doméstica, em qualquer um destes espaços. Normalmente, o apoio que é prestado é psicológico, social e, sobretudo, informativo. É necessário dar informação às vítimas, às mulheres vítimas, para que elas possam perceber quais são os seus direitos e aquilo que podem fazer quando são vítimas deste tipo de crimes.

3. E quem são estas mulheres?

A violência doméstica atinge de forma transversal todas as pessoas. As mulheres vítimas de violência doméstica podem ser de todas as nacionalidades, de todas as religiões, de todos os estratos socioeconómicos e de todas as idades. A violência doméstica é um fenómeno transversal do ponto de vista social.

4. Quantas mulheres já foram apoiadas pela APAV?

A APAV, nos seus 28 anos de existência, tem apoiado muitas vítimas de violência doméstica.
Nos seus números, quase 80% são mulheres. Infelizmente, nem todas elas conseguem reformular o seu projeto de vida, vivendo um vida sem abusos e uma vida sem violência.

5. Em Portugal, quantas mulheres são vítimas de violência doméstica?

Aquilo que sabemos sobre os números da violência doméstica, mais especificamente sobre as mulheres vítimas de violência doméstica, é que atinge de uma forma completamente desproporcional as mulheres, logo, é uma forma de violência de género.
As mulheres que denunciam as situações de violência doméstica têm vindo a aumentar. Não podemos dizer, de forma absoluta, que o crime de violência doméstica tem aumentado, mas sim que o número de denúncias e o número de sinalizações às instituições e às organizações de apoio como a APAV têm aumentado nos últimos anos.

6. Quais são os maiores mitos associados à violência doméstica?

Existem vários mitos associados à violência domestica e que muitas vezes impedem a própria saída das pessoas, das mulheres, da situação de violência:

• Mito 1: as vítimas de violência doméstica são mulheres mais velhas.
Sabemos hoje que não o é. É um fenómeno perfeitamente transversal e que atinge mulheres de todas as idades, daí também nos preocuparem os dados associados à própria violência no namoro, que nos dizem que raparigas entre os 12 e os 16 anos são vítimas de violência doméstica, na grande maioria das vezes sem o saber;
• Mito 2: entre marido e mulher ninguém mete a colher.
A violência doméstica é um crime público, e todos temos o dever de denunciar estas situações.

7. A que sinais devemos estar atentas, especialmente no caso de amigas ou familiares?

A violência doméstica é uma forma de vitimação, que tem como característica passar despercebida. A vítima normalmente esconde, tenta ocultar, enganar aqueles que lhes são mais próximos. Existem, sim, alguns sinais aos quais podemos estar mais atentos e perceber se se trata, ou não, de uma situação de violência doméstica:
• Quando as pessoas são de alguma forma mais isoladas, ou têm um contacto relacional mais próximo com elementos familiares e, de repente, esse contacto deixa de existir;
• Quando chegam tarde aos seus empregos;
• Quando não conseguem justificar determinadas marcas físicas no seu corpo.

8. Porquê uma parceria com a Josefinas?

A parceria da APAV com a Josefinas no projeto You Can Leave é importante porque ela própria significa um apoio direto às mulheres que se encontram acolhidas na rede nacional de Casas Abrigo da APAV. Significa, por outro lado, o reforço positivo de quem tomou a decisão de sair, de mudar a sua vida e de a reconstruir, que é muitas vezes complicado e difícil. Ao mesmo tempo, é dizer a outras mulheres que se encontram em processo de violência que é possível saírem, que é possível pedirem ajuda. Se nós quisermos fazer a ponte com as próprias Josefinas, é um caminho que se faz devagar, é um caminho que se faz de forma difícil e dura, por vezes, mas que não é impossível, de todo, de se fazer.

9. O dinheiro angariado com a Josefinas destina-se a quê?

O dinheiro que for angariado pela Josefinas no âmbito do projeto You Can Leave, em parceria com a APAV, será para aplicar na nossa rede nacional de estruturas de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica.

10. Como podemos ajudar mulheres vítimas de violência doméstica?

Contactando organizações como a APAV, utilizando o nosso número 116 006, ou através do próprio contacto email.
Para quem é vítima de violência doméstica pode recorrer, igualmente, ao 116 006 para falar, porque falar ajuda, e pedir um esclarecimento, ou um aconselhamento relativamente à sua situação.

Veja a entrevista completa aqui:

Saiba como pode contactar a APAV aqui.

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